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Como fazer a transição do útero para o mundo?

  • Posted on:  Thursday, 20 June 2013 13:13
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Pois é. Como dissemos no Capítulo 5, o bebê humano, ao perder o corpo da mãe, perde todos os referenciais, tudo o que ele experimentou desde sempre no útero.

Ao sair, ele começa a respirar. A primeira respiração dá a sensação de queima nos pulmões pela ação do oxigênio.

Se pararmos para pensar, esta é uma mudança de proporções gigantescas. O bebê não é um anfíbio – animais que em estado larvar respiram por meio de brânquias e quando adultos por pulmões. Nós sempre tivemos pulmões, sem serem utilizados, é claro, mas que repentinamente e, nesse caso, sim, abruptamente, começam a serem invadidos pelo ar do novo mundo do qual o bebê passa a fazer parte.

Eis aí uma mudança radical e violenta em relação à qual nada podemos fazer. O bebê não vai ter mais o sangue da mãe entrando pelo cordão umbilical e lhe proporcionando todo o alimento e o oxigênio de que necessita para viver confortavelmente.

No entanto, outras mudanças radicais podem ser minimizadas, introduzidas gradualmente. O sofrimento de uma perda abrupta pode nem existir na medida em que a perda se dá no momento em que outros recursos o libertam da necessidade que tinha antes.

Se a criança perde o calor e o tato do corpo da mãe e é colocado por horas a fio em contato direto com a pele dela (ou de outro adulto que se proponha a fazer canguru), esse bebê continua tendo uma fonte externa de calor que não o deixará se desgastar tendo que se aquecer sozinho. Afinal, tecido não é fonte de calor, é apenas o que retém o calor produzido pelo corpinho do bebê.

Faz-se a transição do útero para o mundo oferecendo um tipo de útero externo que é a bolsinha colocada entre os seios, no peito do adulto. Assim o bebê continua a receber parcialmente o calor, o balanço, o barulho do coração e acima de tudo a presença duradoura de um corpo ligado ao seu. Ou seja, ele não perde tudo de uma vez. O bebê vai se habituando a viver sozinho, num corpo destacado do outro.

Pense bem: o bebê precisa de se destacar aos poucos do corpo da mãe. E isso para aprender a perder sem sofrimento – coisa que nós, adultos, passamos a vida inteira sofrendo sem saber fazer ê-lo. Será que tem alguma conexão?

Luciene Godoy

Read 443379 times Last modified on Tuesday, 19 May 2015 20:38

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