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Por que dizemos "O que todo mundo no fundo quer é voltar para o útero materno"?

  • Posted on:  Thursday, 20 June 2013 13:08
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Olha que não é pouca coisa passar a vida toda querendo voltar para algum lugar. Devia ser muito bom esse lugar para o qual desejamos voltar. Mas voltar a esse lugar específico é impossível e, além do mais, um "atraso de vida", como dizemos aqui em Goiás.

Andar para frente olhando para trás é no mínimo motivo para muitos tropeções e tomadas de caminhos equivocados. Os olhos que olham para trás não podem ver o presente e fazer escolhas apropriadas a cada momento. É um grande apego à fantasia de ser plenamente cuidado pelo outro.

Já viram o quanto as pessoas culpam os outros por não terem feito isso ou aquilo, que fulano falhou com elas e blá-blá-blá? Como se o outro tivesse que adivinhar o que lhes falta!

Minha hipótese é que isso ocorre porque não tivemos as boas condições para ir gradualmente entrando no mundo e deixando o corpo materno sem tanto sofrimento.

Penso que é porque não recebemos o "extero-útero". Não fomos gradualmente separados daquela fonte de calor e segurança que representa o corpo materno para a criança que acaba de perder o útero.

Será que os cueiros de panos mortos (pele tem vida, tecido não!) são bons substitutos para o útero materno? Será que os abraços dos adultos naquele pequeno corpo todo enrolado em panos são suficientes para alcançar a necessidade tátil do bebê?

Será que a perda da proteção e segurança do útero materno pode ser minimizada?

É justamente aí que entra em cena essa maneira de receber o bebê no mundo, uma maneira que propõe que a criança se mantenha "colada" ao corpo materno pele a pele, recebendo ainda por um tempo aqueles itens que são as únicas referências às quais o bebê tinha acesso. Chamamos a isso de método Canguru.

Dessa forma o bebê vai continuar a ter os cinco itens que eram o seu modo de vida anterior: tato, calor, som dos batimentos cardíacos, movimento e voz. Ele não vai perdê-los completamente, vai fazê-lo na medida em que vai desenvolvendo outras maneiras de se relacionar com o novo mundo que lhe está sendo apresentado.

Sabemos que até um adulto deve ir gradualmente sendo lançado às grandes mudanças. Ele precisa de paulatinamente ir aprendendo o que fazer na nova situação. Não lhe parece uma tremenda "comida de mosca" o fato de não fazemos o mesmo com um bebê que vem do mundo aquático para um aéreo?

É uma lógica de respeito: alguém precisa ser levado a ter condições de realizar qualquer grande mudança. Como não ajudar logo ao recém-nascido, fornecendo-lhe parcialmente o que tinha antes, para que, aos poucos, possa viver sem?

Luciene Godoy

Read 360176 times Last modified on Thursday, 19 February 2015 20:19

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